VIAGEM ESTELAR DE TRÊS CARAVANEIROS.
Um grãozinho de areia, mais outro e outro mais e enchemos a mão de areia.
Abrimos lentamente a mão, deixamos cair a areia.
E quem sabe quando os grãos do punhado que juntamos voltarão a se reunir de novo?
Areia. Areia do deserto. Um deserto tão grande, feito só de grãozinhos de areia.
É impossível distinguir um grão do outro.
Quem os teria feito tão iguais?
Indecifráveis eles são.
Quem pode adivinhar o destino de um único grão de areia?
Tão iguais um ao outro. E cada um tem o seu destino.
Cada um tem o seu destino.
Qual será o destino do grão de areia derradeiro?
O deserto nos ensina muitas coisas. E ensinou a nossos antepassados.
Mas não nos conta os seus segredos.
Os segredos dos indecifráveis grãos de areia que são o corpo do deserto.
Tantos grãos, tão semelhantes e de destinos tão diversos.
Caravaneiros, da mesma caravana e cada caravana com seu destino.
Ouro, ouro. Ouro é a areia do deserto refulgindo ao sol (areia).
A areia que escreve e logo apaga os nossos sulcos, quando o vento a revolve!
Somos homens do deserto. Amamos a amplidão desse deserto que parece não acabar nunca.
Amamos as suas miragens. Sabemos que são enganosas como o sonho...
Deserto, deserto, areia e promessa de oásis.
Bendito o homem que ama o seu deserto e não ambiciona que a vida seja um oásis maior do que o céu e a terra.
Loucos, loucos, loucos somos todos nós.
O sol radiante do deserto já está morrendo.
O céu está ficando vermelho de sangue.
É hora de partir.
A viagem à noite será agradável.
Uma estrela nos guiará.
Vocês não acham estranho que nossa carga seja outro, incenso e mirra?
quinta-feira, 28 de maio de 2009
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